Estudos e prática
Dica de Estudo na era da IA
Precisei aprender desenvolvimento web e UX. Aprendi em menos de um ano com livros físicos e uma caneta marca-texto. Decidi ir por um caminho mais analógico. Quem já trabalhou na minha equipe sabe como sou a favor do uso de IA como ferramenta, mas não aprovo seu uso como substituto do aprendizado do conteúdo. Esse rumo que tomei com os livros físicos me deu um frescor novo de que precisava para aprender tanto em pouco tempo.

De desenvolvimento web para um time de web
O primeiro livro técnico que li esse ano foi “Não me faça pensar”, do Steve Krug. Eu comecei quando tive a oportunidade de expandir os horizontes do meu time para além do desenvolvimento web. Acrescentei UX ao repertório de nossos serviços e migramos de um time de dev para um time de web, no sentido mais amplo possível.
Depois de ler o livro, encontrei a skill ux-heuristics, de wondelai, que reúne princípios do livro de Krug junto de outras heurísticas e regras de UX, e comecei a usá-la.
Encontrá-la depois da leitura foi a melhor coisa que aconteceu para eu firmar meu conhecimento, porque eu reconhecia as referências que a IA trazia que eram da mesma bibliografia que eu já tinha lido.
Tive um ganho enorme, porque foi bem mais fácil de transformar o conhecimento que eu só tinha na teoria em habilidades prática. Cada vez que eu utilizava a skill, eu sabia quais princípios estavam sendo utilizados e de qual capítulo do livro se referia.
Leitura, grifos e revisão
Foi a partir daí que comecei a organizar meus estudos dessa forma. Eu lia os livros físicos e grifava tudo que considerava importante. Ao grifar, era como se estivesse lendo duas vezes. Quando terminava o livro, começava de novo e ia transcrevendo para a IA o que tinha destacado.
Durante a transcrição, eu também indicava como aquele conhecimento deveria ser aplicado e acrescentava notas com o que já sabia de antemão. No final, a IA organizava esse material para deixá-lo inteligível e em formato de skill.
Então, basicamente passei três vezes pelo conteúdo de cada livro
Nesse período, li também A arte da gestão, da Fournier; JavaScript: o guia definitivo, do Flanagan; e Redação estratégica para UX, da Podmajersky. Agora estou lendo A bíblia do design gráfico.
Skills organizadas por especialidade
Separo minhas skills como se fossem funcionários, cada um com um conjunto de conhecimentos, semelhante ao que acontece na vida real. Tenho minha skill de desenvolvedor web, de UX writer, de UX design e de designer.
Para decidir qual usar, preciso entender o processo como um todo. Quando começo a criar uma página, sei onde entra a função de UX, de UX writing e de desenvolvimento. É bem semelhante a uma esteira de desenvolvimento numa empresa.
O que aplico com vários agentes é o que faço com diversas pessoas no meu trabalho: entender onde cada especialidade entra no processo.
Para uma pessoa totalmente novata, é mais difícil ter essa visão do todo. Por isso, ela não pode deixar de estudar e delegar tudo para a IA.
Da teoria para a prática
Hoje em dia, eu utilizo a skill ux-heuristics com total proficiência. Eu já começo o prompt falando o princípio ou a heurística necessária, chegando ao ponto em que eu corrijo a IA ou aponto corretamente qual caminho ela deve seguir.
Um exemplo foi o formulário deste site. A indicação de “obrigatório” aparecia repetidamente nos campos. Trouxe o princípio de retirar palavras desnecessárias e removemos essa repetição, mantendo a obrigatoriedade dos campos.
Na versão atual, apenas o e-mail recebe a indicação de “opcional”.


No começo, a IA me corrigia. Com o tempo e a prática, o conhecimento dos livros passou a fazer parte do meu trabalho. Usar uma ferramenta que trazia as mesmas referências bibliográficas que eu tinha estudado me ajudou nesse processo.
Estudar na era da IA
Então, quando você estiver sentindo essa fadiga de IA, sobrecarregado com tantas ferramentas e novidades, e perceber que não está conseguindo reter conhecimento ou está simplesmente delegando pensamento para a IA, às vezes o melhor a fazer é ir pelos caminhos mais tradicionais e humanos possíveis.